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Yedamaria Uma artista de todos os tempos

No Julho das Pretas, a nossa homenageada é a artista plástica Yedamaria: “Filha única do casal Elias Félix de Oliveira (do qual a própria artista tem poucas lembranças) e Theonila da Silva Correa (professora primária), a artista plástica Yêda Maria Correa de Oliveira, neta de Gabino da Silva Correa, também professor, nasceu em 1932, na cidade de Salvador.

Após terminar os estudos secundários graduou-se na Escola de Belas Artes da Bahia, em 1959. Enquanto fazia o curso recebeu, em 1956, menção honrosa no Salão Baiano de Artes Plásticas pelo trabalho Barcos da água de meninos. A obra, que mais tarde viria a ser considerada sua pintura inaugural, retrata um tema fartamente observado na história da arte ocidental desde o século XVII.

Em 1962, Yêda cursa gravura na Escolinha de Arte do Brasil, no Rio de Janeiro, importante meio de formação de novos artistas fundado por Augusto Rodrigues, Lucia Alencastro Valentim e pela artista norte americana Margareth Spencer, em 1948. No mesmo ano volta à Bahia e estuda gravura com Henrique Oswald. O professor, entusiasmado com os resultados da aluna, envia uma gravura da artista para o Festival de Artes de Ouro Preto, em Minas Gerais, onde ela é premiada no seguimento Artes Gráficas. Isso a estimula a conhecer mais as técnicas de impressão.

Os anos 50 e 60 serão, para ela, marcados pela produção plástica de paisagens e cenas marinhas. A pincelada inicial é forte e expressiva, mas logo a artista direciona seus interesses para a síntese que une cor e geometria. Os barcos são reduzidos a sugestões que captam deles o mínimo geométrico; a cor que se tornará uma marca importante na produção da artista começa a revelar-se frutífera.

Na composição Barco com frutas, de 1964, é exatamente o que ocorre: observe que os barcos são identificáveis apenas por triângulos a evocar velas hasteadas – tornam-se apenas detalhes, formas cromáticas. Nesse mesmo trabalho apresenta-se pela primeira vez o tema que ganhará enorme vigor na produção da artista – a natureza-morta.

Este gênero, do qual Yêda extrairá uma incrível quantidade de cores alegres e iluminadas e que atualmente é a marca principal de seus trabalhos, é resultado da observação sistemática de seus modelos – frutas, flores, mesas arrumadas com esmero -, representações que dão o tom de uma organização estética do mundo. Assim, se nessa pintura as frutas têm certo destaque na composição, mais adiante elas se tornarão o centro das atenções e do investimento – a alimentação absorverá completamente os interesses da artista baiana.”

Texto retirado do site OMenelick 2°Ato | http://omenelick2ato.com/

http://omenelick2ato.com/artes-plasticas/yeda-maria/

Yedamaria era conhecida internacionalmente e tem obras expostas em museus dos Estados Unidos e Europa. No dia 27 de março de 2016 Yêda foi encontrada morta em seu apartamento, onde morava sozinha, no bairro da Pituba, na capital baiana, aos 84 anos de idade.